Como aplicar a acessibilidade na construção civil?

  • Engenharia

Hoje, a importância de integrar a acessibilidade na construção civil nunca foi tão relevante, devido à crescente conscientização sobre a inclusão e os direitos das pessoas com deficiência.

Uma obra acessível vai além de sua estética e funcionalidade, abrangendo um conjunto de elementos que permitem a plena participação de todas as pessoas, independentemente de suas habilidades físicas ou cognitivas. Desde rampas e elevadores até sinalizações e espaços adaptados, a infraestrutura acessível é uma manifestação tangível do compromisso com a igualdade.

No contexto brasileiro, a norma ABNT NBR 9050 se destaca como um guia abrangente que define os parâmetros e requisitos para a acessibilidade em edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Neste artigo, exploraremos como aplicar esses princípios de forma prática e significativa.


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Acessibilidade na construção civil: por que é tão importante?

Um equívoco frequente é pensar que projetos acessíveis são apenas direcionados a pessoas com deficiências. Há diversos indivíduos com dificuldade de mobilidade, como gestantes, idosos ou aqueles temporariamente em recuperação, usando muletas ou cadeiras de rodas.

Assim, desenvolver um projeto acessível vai além de criar estruturas seguras para pessoas com deficiência. É construir uma sociedade inclusiva, respeitando todas as diferenças.

Consequentemente, profissionais da construção civil, como arquitetos e engenheiros, estão cada vez mais comprometidos, unindo inovação com regulamentos de acessibilidade. Isso cria uma chance de modernizar o setor e abrir novas possibilidades.

O que diz a norma técnica?

A NBR 9050 contempla uma gama ampla de temas, desde os critérios que norteiam a sinalização em locais de uso público até as diretrizes ergonômicas aplicáveis a elementos de mobiliário e dispositivos urbanos.

Em projetos dessa natureza, a aplicação de um método de avaliação de potenciais falhas mostra-se de suma importância, possibilitando a concepção de empreendimentos com níveis elevados de segurança e confiabilidade.

O que uma obra deve ter para ser acessível?

Para aprimorar a qualidade de vida, diversas adaptações podem proporcionar conforto, segurança e independência, independentemente das limitações individuais. Um exemplo é a versatilidade das barras de apoio, que desempenham um papel fundamental para pessoas com deficiência, idosos e outros grupos.

O investimento em mobilidade não apenas aprimora a funcionalidade dos imóveis, mas também os valoriza no mercado imobiliário, com custos adicionais mínimos em relação a obras convencionais. Ao abraçar as normativas de acessibilidade desde a fase de projeto, é possível economizar e criar espaços inclusivos de maneira eficiente.

Priorizar a acessibilidade na suíte é uma opção sensata para aqueles que desejam adotar ajustes gradualmente. Para inspiração, exploraremos nove elementos que convertem construções em ambientes verdadeiramente acessíveis.

Rampas de acesso

As rampas de acesso desempenham um papel crucial na garantia da mobilidade de pessoas com dificuldades de locomoção, sejam cadeirantes, idosos ou pessoas com carrinhos de bebê.

Ao projetar uma rampa, é fundamental considerar a altura do desnível e o comprimento da projeção horizontal. Para assegurar a autonomia de cadeirantes, a inclinação não deve ser superior a 8%.

Em casos de inclinações entre 6,25% e 8,33%, é recomendável a inclusão de patamares para descanso a cada 50 metros. Quando o espaço é limitado, a utilização de plataformas elevatórias ou elevadores residenciais viabiliza a circulação vertical acessível.

Passagens e vãos

O dimensionamento adequado das áreas de circulação é essencial para permitir a passagem livre de cadeiras de rodas. Um mínimo de 90 cm de largura garante que os corredores e passagens sejam acessíveis.

Para os dormitórios, é necessário um diâmetro livre de pelo menos 1,50 m, facilitando o giro completo das cadeiras de rodas. Essa movimentação é crucial para a autonomia, permitindo às pessoas manobrar e se deitar sem assistência.

Portas e aberturas

Portas acessíveis devem ter um espaço entre os batentes de pelo menos 90 cm. Modelos de portas de correr são ideais, mas devem ter trilhos apenas na parte superior para evitar obstáculos.

Quanto mais fluida a passagem para cadeirantes, usuários de andadores ou bengalas, melhor. A facilidade de acesso se estende às maçanetas e aos sistemas de fechamento, que devem ser de fácil manipulação.

Escadarias

A inclinação transversal de escadas internas não deve ultrapassar 1%, enquanto que, para as externas, o limite é de 2%. A largura das escadas deve ser proporcional ao fluxo de pessoas.

Em áreas de uso comum, o mínimo admissível é de 1,20 m. A presença de corrimãos e guarda-corpos fixados na parede é essencial para proporcionar apoio e segurança.

Revestimentos antiderrapantes

A escolha de revestimentos antiderrapantes é crucial em áreas molhadas, como banheiros e cozinhas. Isso previne escorregões e ajuda a evitar acidentes domésticos.

A eliminação de desníveis desnecessários também é importante, tornando os ambientes mais seguros. Tapetes soltos devem ser evitados, pois podem ser um obstáculo para pessoas com mobilidade reduzida.

Barras de apoio

Barras de apoio instaladas em banheiros, especialmente no box, oferecem suporte e independência para os usuários. É vital que essas barras sejam feitas de aço inoxidável, resistente à corrosão, e possuam uma empunhadura ergonômica para garantir conforto e segurança.

Iluminação com sensor de movimento

A iluminação com sensores de movimento é uma solução prática para melhorar a segurança, especialmente durante a noite. Essas luzes acendem automaticamente quando detectam movimento, facilitando a navegação em espaços escuros e minimizando riscos de tropeços ou quedas.

Além disso, durante o dia, aproveitar a iluminação natural é uma estratégia sustentável que beneficia todos os moradores.

Mecanismos de acionamento

Tomadas, interruptores, interfone, quadro de luz, torneiras e outros mecanismos devem ser projetados com acionamentos adaptados, como alavancas, para acomodar pessoas com diferentes habilidades. Esses elementos devem estar posicionados em alturas compatíveis com as diretrizes da ABNT, para garantir o acesso sem dificuldades.

Quais erros não cometer na sua obra?

O cumprimento das diretrizes de acessibilidade, como aquelas definidas na NBR 9050, é essencial para garantir que os projetos atendam às necessidades de todas as pessoas, promovendo a igualdade e a independência em ambientes construídos.

Evitar alguns erros é fundamental para assegurar que os espaços construídos sejam verdadeiramente acessíveis e inclusivos. Veja os principais a seguir.

Passarelas e rampas com inclinações acentuadas ou sem corrimãos

A falta de adequação nas inclinações de passarelas e rampas pode tornar o acesso difícil, especialmente para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida. Inclinações muito íngremes aumentam o risco de acidentes e podem inviabilizar a circulação independente. 

Além disso, a ausência de corrimãos ou sua instalação inadequada diminui a segurança e a estabilidade das pessoas durante a subida ou descida.

Elevadores com portas estreitas ou sem sinalização em braile

Elevadores inacessíveis comprometem a mobilidade vertical. Portas estreitas dificultam ou até mesmo impossibilitam a entrada de cadeiras de rodas e carrinhos de bebê. A falta de sinalização em Braile nas cabines e nas áreas externas dos elevadores exclui pessoas com deficiência visual, limitando sua capacidade de navegar com autonomia.

Sanitários acessíveis com dimensões inadequadas

Sanitários acessíveis mal projetados ou com dimensões inadequadas comprometem a funcionalidade. Espaços apertados dificultam o uso de cadeiras de rodas e outras ajudas de locomoção. A ausência de equipamentos essenciais, como barras de apoio e lavatórios acessíveis, prejudica a independência dos usuários.

Em resumo, a acessibilidade na construção civil transcende normas, sendo um compromisso com a inclusão e a funcionalidade. Evitar erros e abraçar princípios essenciais enriquece espaços, valoriza imóveis e moderniza o setor. Arquitetos e engenheiros que priorizam a acessibilidade estão construindo um futuro inclusivo e integrado.

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