Quais são os principais tipos de biomassa e como otimizar seu uso?

  • Agronegócio

Conforme os anos passam, a sustentabilidade ocupa um papel cada vez mais importante nas operações de trabalho. Por isso, aproveitamos o momento para discutir um assunto em especial: os diferentes tipos de biomassa.

O nosso objetivo é apresentar um panorama geral sobre o tema, demonstrando a importância de conhecer os vários tipos, características e oportunidades. Então, não perca tempo e acompanhe!

A importância de conhecer os diferentes tipos de biomassa

Economia, sustentabilidade e inteligência ambiental. Independentemente do setor, a biomassa vem ganhando um espaço cada vez maior, justamente por atender as novas tendências operacionais, que apontam para um futuro mais consciente, cíclico e sustentável.

No entanto, pode ser que o assunto esteja um pouco fora do seu radar, mas isso não é um problema, pois podemos refrescar sua memória. Tecnicamente, é considerada biomassa todo tipo de matéria orgânica que pode ser aproveitada com o objetivo de gerar energia.

Mas não é sempre que essas fontes são adequadas como modelos centrais de fornecimento energético. Contudo, a biomassa ainda é vista com bons olhos no contexto da reutilização produtiva, em que ela é o resíduo de processos anteriores.

O melhor modo de entender isso é olhando para o agronegócio. Pense em uma operação agrícola, como um canavial (local onde se cultiva a cana de açúcar). Após a extração do sumo, o resíduo é o bagaço da cana — um material importante quando falamos de biomassa no Brasil.

Nesse cenário, em vez de descartar os resíduos, é possível utilizá-los de forma inteligente e econômica. Um exemplo disso seria gerenciar um pátio de controle de biomassa na própria operação, realizando o processamento agroindustrial para gerar energia ao próprio ambiente de trabalho.

Por outro lado, a gestão pode simplesmente vender o bagaço como se fosse uma commodity — que é um item de valor comercial e produtivo para algum comprador interessado. Geralmente, esse é o caminho escolhido, pois não é sempre que os produtores rurais contam com um pátio de controle e processamento para a própria biomassa.

Por isso que conhecer os diferentes tipos de biomassa é saber identificar as oportunidades econômicas, energéticas e produtivas que podem ser geradas ao aproveitar toda a matéria orgânica produzida na sua operação.

Os diferentes tipos de biomassa

Agora que você reconhece a importância do tema, chega o momento de conhecer um resumo sobre os principais tipos de biomassa no Brasil. Como perceberá, boa parte dos exemplos são resultantes das operações no agronegócio — que é o maior produtor desses resíduos. Acompanhe!

Cascas de arroz

Esse é um dos tipos mais comuns derivados da produção nacional — assim como milho, soja e trigo. Com alta capacidade de gerar calor, as cascas são convertidas em partículas milimétricas para, então, serem adicionadas ao carvão, aumentando a eficiência e potencial de combustão desse produto.

Cascas de coco verde

O coco é uma das matérias-primas mais versáteis encontradas na natureza. Enquanto biomassa, tanto a casca como o fruto apresentam alto teor calorífico. As cascas, por exemplo, podem ser transformadas em briquetes, tornando-se substitutas eficientes para a lenha.

Mas ela também pode ser aproveitada de maneira eficiente fora do escopo energético. Como exemplo, o pó residual da tritura pode ser utilizado para compor o substrato agrícola — que é o meio físico para a sustentação das raízes de uma planta. Já a fibra pode ser empregada na fabricação de vasos ou afins.

Eucalipto

Outro grande gerador de biomassa, um hectare desse cultivo chega a produzir 25 toneladas de biomassa por ano. Em termos energéticos, o eucalipto é mais promissor e eficiente do que a cana de açúcar.

Pellets de madeira

Os pellets são os resíduos granulados da madeira prensada. Por isso, o aproveitamento dessa biomassa é sempre considerado em operações florestais. Após a coleta, os resíduos são desidratados e transformados em cilindros milimétricos, resultando em um combustível de queima rápida e eficiente.

Ouriço da castanha

Assim como as cascas do coco, o ouriço da castanha é um material orgânico altamente versátil. Tecnicamente, é uma biomassa de alta densidade energética, sendo frequentemente empregue como lenha em operações de queima intensa em setores como a siderurgia e a metalúrgica.

Bagaço de cana

Esse é o exemplo mais emblemático quando falamos de biomassa no país. A cana é o principal elemento na produção do bioetanol. Inclusive, o Brasil é uma referência global no manuseio e transformação dessa biomassa — que, apesar de não ser a mais eficiente, entrega resultados bastante promissores.

A destinação inteligente da biomassa

No fim das contas, não importa se a sua operação comercializa a biomassa ou a aplica para a geração de energia própria, pois ambas as soluções conseguem reverter economias estratégicas para a sua gestão — seja com o corte de custos energéticos, seja com a entrada de novas receitas.

Naturalmente, uma alternativa é mais exigente do que a outra. Aqui, falamos especificamente da geração de energia para utilização própria — um dilema abordado em um artigo exclusivo, no qual listamos as melhores práticas para a gestão de pátios de biomassa.

Além de existirem certos desafios na movimentação desses materiais, a construção de um pátio para o armazenamento, controle e processamento da biomassa exige um investimento inicial, que é um detalhe capaz de desencorajar pequenos produtores e operações.

No entanto, o investimento retorna resultados positivos. Primeiro pelo ponto de vista energético, pois o pátio de biomassa produz uma energia muito mais barata do que o abastecimento tradicional.

Em operações de longa duração, como em atividades no setor florestal, minerador e agrícola, o investimento em pátios consegue se pagar ao longo do tempo e consolidar ganhos à longo prazo.

Outro argumento que atesta isso é a sustentabilidade, cada vez mais importante para empresas que lidam com o cliente final na última parte da cadeia de atendimento, como o agrícola e o florestal. Mas muito mais do que um selo de compliance ambiental, a sustentabilidade é importante como estratégia econômica.

Afinal de contas, é crucial lembrar que os combustíveis fósseis ficam proporcionalmente mais caros conforme se tornam mais escassos. Portanto, apostar nos combustíveis renováveis pode ser uma tática inteligente para evitar a alta dos custos das fontes tradicionais.

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