Como a gestão ambiental está ligada ao compartilhamento de ativos?

  • Gestão

A gestão ambiental, basicamente, consiste em um modelo de administração que tem como base a priorização do desenvolvimento sustentável. Na Resolução do Conama nº 306/2002, a gestão ambiental é definida como a condução, controle e direcionamento de recursos naturais, dos riscos ambientais e das emissões para o meio ambiente, com a utilização de um sistema sólido de gestão ambiental.

O foco da gestão ambiental é o trabalho e conscientização de profissionais e empresas para que as práticas e comportamentos corporativos tenham em seus principais a redução dos impactos ambientais. Isso significa que é necessário sair um pouco da teoria e das burocracias para transformar a cultura organizacional em prol de uma economia mais circular e menos linear.

Para que você entenda de forma detalhada o que é gestão ambiental, seus impactos e bases, fizemos este guia completo sobre o assunto. Confira!


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Qual é o papel do gestor ambiental nas empresas?

De forma direta e objetiva, o gestor ambiental atua na busca e aplicação estratégica do equilíbrio necessário entre a produtividade, o crescimento econômico e a conservação dos recursos naturais.

Para isso, o gestor deverá ter como foco os projetos que tenham em sua raiz os princípios da economia sustentável, ou seja, todo o ciclo de vida de processos, produtos ou serviços precisam ser elaborados, desenvolvidos e coordenados tendo a redução de impactos ambientais em seu horizonte.

Se durante muito tempo o foco das ações relacionadas à sustentabilidade nas empresas era restrito ao descarte correto de resíduos ou na redução de emissão de poluentes, hoje o escopo é mais amplo e começa desde a aquisição de matéria-prima, passando pela forma de produzir, indo até o próprio desenvolvimento de projeto dos produtos. A gestão ambiental deve pensar de forma sustentável desde o início dos processos e é papel do gestor viabilizar isso.

O que é o sistema de gestão ambiental?

Estabelecido pela ISO 14001, o sistema de gestão ambiental, conhecido pela sigla SGA, tem como objetivo dar um direcionamento para que a empresa tenha um controle de processos direcionados a uma boa relação com o meio ambiente.

Nesse cenário, a norma tem como abordagens principais a prevenção de acidentes, redução de impacto ambiental, o gerenciamento dos riscos e a melhoria contínua da cultura organizacional em relação à sustentabilidade.

Além disso, o SGA é um dos pré-requisitos para que a empresa consiga aderir ao PNRS — Plano Nacional dos Resíduos Sólidos. Para isso, é de suma importância que todas as áreas da empresa estejam alinhadas com os pilares do sistema de gestão ambiental

Como implementar o SGA na corporação?

Para a implementação de um sistema de gestão ambiental em uma empresa, o primeiro passo é o mapeamento de todas as atividades corporativas. O objetivo aqui é identificar cada possível impacto no meio ambiente que pode estar sendo gerado para a realização das atividades corporativas.

Após a identificação desses possíveis impactos, é hora de definir quais serão os métodos de controle, de monitoramento e quais soluções tecnológicas podem ser utilizadas para a redução desses impactos.

Um ponto que precisa ser ressaltado é que as soluções tecnológicas que forem adotadas precisam ter como base as exigências legais de cada segmentos corporativos. Alguns segmentos, como indústria de pneus, por exemplo, devem, por lei, contar com um sistema de logística reversa.

Outras podem adotar isso de forma opcional, por entender que está contribuindo com determinados impactos, como faz a indústria eletrônica, que também tem focado na logística reversa para evitar o descarte, ao mesmo tempo que aproveita materiais e elementos em novos produtos, reduzindo a necessidade de extração de matérias-primas.

No setor mineral, o reaproveitamento de rejeitos tem sido um grande destaque, tornando o que antes era apenas um mero descarte em material útil para a criação de produtos derivados de grande valor para a construção civil e pavimentação.

Depois da identificação dos impactos, o próximo passo é a fase de planejamento do SGR, que tem como objetivo a classificação dos impactos identificados nos processos produtivos. Nesse cenário, também é necessário a avaliação dos requisitos legais que estão relacionados a essas atividades, sejam eles na esfera municipal, estadual ou federal.

Em seguida, são estipulados os objetivos que correspondam a política ambiental que foi estabelecida e as ações práticas que deverão ser tomadas daí em diante para que esses objetivos possam ser alcançados.

Quais são os benefícios práticos da gestão ambiental nas empresas?

Para que você possa entender como uma gestão ambiental pode impactar positivamente uma empresa e o seu entorno listamos, abaixo, os benefícios práticos dessa mudança cultural. que são, entre outras coisas:

  • melhorar a imagem da empresa — os consumidores estão cada vez mais exigentes e buscando marcas e produtos que estão alinhados aos seus valores e princípios;
  • contribui para a otimização dos processos produtivos — a busca por novas soluções produtivas, mais sustentáveis e com melhor aproveitamento dos recursos contribui para que a empresa produza mais, gastando menos;
  • diminuição dos custos com matéria-prima — o que impacta na redução da extração;
  • diminuição na produção de resíduos e dos custos que a empresa teria com a destinação desse material;
  • alinhamento com as legislações ambientais, evitando multas e sanções;
  • maior competitividade no mercado nacional e internacional — visto que muitas empresas de outros países dão preferências para parceiros que respeitam o meio ambiente;
  • facilidade de acesso a financiamento, pois a empresa mostra um grande compromisso com as políticas ambientes e com o seu entorno;
  • diferencial de marca percebido pelo parceiro — empresas que usufruem de produtos ou serviços vindos do B2B tendem a perceber valores, e darem preferência, a aquilo que adquirem pois lhes capacita a criar uma comunicação entorno disso.

Em suma, podemos dizer que a empresa que passa a trabalhar com foco em uma gestão ambiental, visa a promoção do equilíbrio necessário entre a sustentabilidade e a necessidade de crescimento econômico.

Por que o interesse crescente na gestão ambiental? 

Desde o início da primeira revolução industrial que o mundo vem passando por um grande desequilíbrio entre o que é extraído e o que é descartado. A natureza tem o seu tempo próprio de renovação, que resulta em um ciclo quase perfeito de nascimento, crescimento e decomposição.

A industrialização acelerou uma série de processos, e, embora a produção em escala tenha contribuído para um aumento da qualidade de vida de maneiras nunca vistas na humanidade, aumentou também os níveis de poluição — em especial do ar e dos mananciais —, provocou uma alta demanda pela extração de recursos naturais escassos e criou uma problemática em relação ao descarte de lixo.

Se pararmos para pensar, boa parte do lixo, seja ele doméstico ou industrial, é formado por embalagens. Quando uma indústria fabrica tratores em série, por exemplo, cada componente vem embalado em embalagens feitas com um ou mais tipos de materiais. Em um dia de produção em uma fábrica dessas, é possível produzir uma quantidade de lixo enorme, só com embalagens de peças em componentes — fora os demais descartes necessários para manter a produção, logística e demais setores.

É com base nessa ideia que o compartilhamento de ativos ganha força. Afinal, se uma locadora possui 200 tratores e consegue locar cada um desses tratores para, ao menos três diferentes clientes ao longo do ano, reduz-se em muito a pegada de carbono deixada por esses clientes, pois assim que as máquinas cumprirem sua demanda elas retornam à locadora e partem para uma nova operação. Ganha-se não só em custos e tempo, mas também em sustentabilidade.

A economia circular na gestão ambiental

A economia circular pode ser a grande propulsora do modelo de gestão ambiental nas empresas de todos os portes e setores, porque é um conceito que alinha o desenvolvimento econômico ao uso racional dos recursos naturais.

O horizonte da economia circular é o oposto da economia linear, que tem como foco a extração, a produção e o descarte, ou seja, o início, meio e o fim do produto e de seus componentes. A economia circular tem como foco a redução da dependência de matéria-prima virgem, ou seja, todo o processo é projetado para que o ciclo de vida do produto ou serviço não termine no descarte, mas em maneiras de estender ao máximo a utilização de seus materiais, componentes e recursos.

É um aperfeiçoamento do sistema econômico, no qual o foco deve ser manter o fluxo circular dos recursos, contribuindo para o desenvolvimento sustentável. Para isso, a economia circular deve ultrapassar as tradicionais ações para a redução de resíduos, dando espaço ao redesenho dos negócios, que tenha como características principais a máxima reutilização, a mínima extração de recursos, uma maior eficiência no desenvolvimento de processos de produtos.

Dessa maneira, é possível manter a produtividade, gastando menos, utilizando poucos recursos e mantendo a qualidade de vida das pessoas. O compartilhamento é um grande exemplo disso.

Quantas empresas, que não tinham orçamento para adquirir maquinários que otimizam a sua produtividade, passaram ter acesso a ferramentas de ponta, podendo utilizá-las de maneiras pontual por meio do aluguel? Os exemplos e otimização são inúmeros e abrangentes.

Como a gestão ambiental está ligada ao compartilhamento de ativos?

O compartilhamento de ativos é um dos pilares da economia circular e deve ser adotado por empresas que almejam uma gestão ambiental coesa. Essa função de economia colaborativa tem o potencial de reduzir o consumo de matérias primas, facilitando o acesso, barateando os custos reduzindo a emissões de poluentes.

Compartilhamentos no nível pessoal

É um modelo que está cada vez mais presente em nosso dia a dia. Quando pedimos comida em um aplicativo, estamos em uma plataforma compartilhada, em que as empresas compartilham os profissionais de entrega, a plataforma de vendas, de pagamentos e de marketing. Em vez de cada restaurante ter o seu entregador próprio, vários estabelecimentos de uma região dividem os mesmos profissionais.

No nível pessoal, temos também as bicicletas compartilhadas, em que pagamos apenas pelo tempo ou percurso que utilizamos, ou seja, é um modelo ideal para quem usa esse veículo esporadicamente.

Quando várias pessoas decidem alugar bicicletas em vez de comprar uma nova, há dois impactos imediatos. Primeiro: um prolongamento da vida útil dos materiais utilizados nas bicicletas alugadas. Segundo: uma redução na extração de matéria-prima para a produção de bicicletas que, ficarão, na maior parte do tempo, ociosas. Não podemos esquecer que uma bicicleta não é feita só de metal, há outros materiais como a borracha e o plástico.

Compartilhamento no mundo corporativo

No setor produtivo, um bom exemplo é o modelo que empresas ligadas à construção civil, logística e agronegócio têm adotado. É cada vez mais comum vermos gestores desse segmento optando pelo aluguel de máquinas para serviços pontuais, como, tratores, escavadeiras, caminhões, empilhadeiras, plataformas elevatórias etc. Vale pontuar que, no setor agropecuário está cada vez maior o número de propriedades que alugam as máquinas pesadas para trabalhos específicos e para as épocas de colheitas.

Em outros casos, como em usinas, mineração e operações florestais, a locação de máquinas e implementos também acontece de maneira exponencial. Ainda que o aspecto “pontual” da operação seja alterado para o chamado “longo prazo”, há uma adesão por parte de empresas desses setores, principalmente, por causa do quesito manutenção e disponibilidade. Assim, a empresa foca em seu negócio primário, enquanto deixa a burocratização de compra, manutenção e troca dos equipamentos com a locadora.

Compartilhamento no setor público

Já há várias prefeituras que abrem editais para empresas privadas assumirem obras de pavimentação, saneamento e engenharia pública. Essas empresas, por sua vez, tem total liberdade de optar pela locação. Assim, a prefeitura controla os equipamentos de forma pontual, sem necessidade de mantê-los ociosos.

Quando analisamos o compartilhamento de maneira isolada, pode parecer que os impactos que essa prática traz para o meio ambiente não sejam tão significativos. Contudo, quando olhamos em um escopo mais amplo, no longo prazo, entendemos por que essa é uma tendência que veio para ficar.

Quando várias prefeituras e órgãos do estado passam a alugar máquinas para obras públicas, pagam apenas pelo período que utilizar e todos os custos de manutenção serão diluídos. Além de contribuir com o meio ambiente, gera empregos pontualmente e reduz o impacto direto no bolso da população.

Como validar uma gestão ambiental?

A gestão ambiental bem-sucedida de uma empresa poderá ser válida por meio da obtenção da certificação ISO 14001. Para isso, a empresa deverá estar alinhada a algumas medidas que atendam as diretrizes estabelecidas pela norma — que citamos no tópico anterior.

O processo de obtenção do certificado da ISO 14001 tende a ser um pouco mais complexo do que a obtenção do tradicional ISO 9001. A legislação referente ao direito ambiental no Brasil tem a sua complexidade o que torna necessário um mapeamento criterioso da situação da empresa.

Para se ter uma ideia da complexidade, a implementação dessa certificação leva, em média, de 10 a 18 meses. Em alguns casos, dependendo dos entraves, pode demorar mais — apesar de ser raro de acontecer. A variação de 8 meses acontece porque a implementação não é padrão, o período de análise dependerá do tamanho da corporação, dos recursos humanos disponíveis e do nível de envolvimento dos líderes.

Como vimos, a gestão ambiental deixou de ser uma tendência ou um diferencial de empresas mais engajadas e se tornou quase que uma obrigação em tempos de redução de desperdícios. A agenda 2030 da ONU traz todas as diretrizes e compromissos que governos e corporações precisam adotar para que a gente continue crescendo economicamente, de forma igualitária, em um mundo cada vez mais tecnológico.

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