Entenda o funcionamento da produção de fertilizantes neste guia!

  • Agronegócio

Em muitos lugares do globo, inclusive no Brasil, a segurança alimentar ainda é um enorme desafio a ser vencido. Nesse sentido, um dos maiores aliados, se usado de maneira adequada, são os fertilizantes. Para você ter ideia, quase 50% de toda a população mundial vive graças ao aumento da produção das culturas obtido pela aplicação de fertilizantes e a tendência é que esse número continue crescendo. Impulsionando, é claro, a produção de fertilizantes.

Na verdade, sem o uso de fertilizantes, o mundo teria a sua capacidade de produção de alimentos básicos reduzida à metade. Para contornar a questão da escassez, seria necessário converter uma imensa área de matas e florestas em áreas para a produção de culturas alimentares. Isso, com certeza, acarretaria um dano incalculável para o meio ambiente em todo mundo.

Em outras palavras, os fertilizantes têm, sim, um enorme papel em duas questões determinantes para o nosso futuro: soberania alimentar e sustentabilidade. Por isso, todo produtor agrícola precisa enfrentar o desafio de manejar fertilizantes e solo de modo a proporcionar o aprimoramento contínuo de métodos e processos para a produção dos mais diversos gêneros alimentares.

O que são fertilizantes?

De origem mineral ou orgânica, natural ou sintética, os fertilizantes são substâncias que fornecem um ou mais nutrientes e têm forte impacto no crescimento e no desenvolvimento adequado das plantas.

Eles contribuem para o processo de renovação de tecidos das plantas, além de auxiliarem na mitigação dos danos e anomalias causados por doenças e pragas. Em outras palavras, os fertilizantes são alimento para as culturas.

Entretanto, vale ressaltar que o uso de fertilizantes, assim como a adoção de qualquer outro método de aprimoramento do cultivo, requer cuidados criteriosos para não causar o efeito contrário ao desejado ou, até mesmo, causar danos à saúde de profissionais e consumidores.

Por isso, vamos nos aprofundar um pouco mais e te contar quais são os principais tipos de fertilizantes existentes no mercado.

Quais são os tipos de fertilizantes?

Capazes de fornecer todos os nutrientes necessários para que as plantas se desenvolvam, os fertilizantes podem ser minerais, orgânicos ou organominerais de acordo com a fonte da qual são extraídos. Os primeiros vêm de rochas ou do solo. Os segundos são feitos de esterco ou compostagem de elementos vegetais. Já os organominerais — como o nome bem sugere — são produzidos a partir da mistura de fertilizantes minerais e orgânicos.

Fertilizantes minerais

Extraídos do solo, minas ou rochas, os fertilizantes minerais são produzidos por meio de modificações químicas. Quando aplicados, podem ser absorvidos diretamente pelas plantas ou passar anteriormente por alterações no solo. Eles podem fornecer um ou mais nutrientes e são classificados de acordo com os ingredientes que prevalecem na sua composição química. Podemos tipificá-los como:

  • nitrogenados — compostos por elementos alto teor de nitrogênio;
  • potássicos — desenvolvidos a partir de elementos com alta concentração de potássio;
  • fosfatados — constituídos por componentes com elevado teor de fósforo;
  • mistos — preparado com mais de um nutriente predominante;
  • corretivos — preparados a partir de substâncias que têm como base o calcário. São amplamente usados com a finalidade de corrigir a acidez do solo.

Fertilizantes orgânicos

Produzidos a partir de restos de animais e vegetais, os fertilizantes orgânicos contêm materiais que, ao passarem pelo processo de decomposição e mineralização, liberam nutrientes que são absorvidos pelas plantas. Geralmente, são feitos de esterco animal, resíduos de vinícolas, bagaços de cana-de-açúcar, frutas, verduras e legumes.

Apesar de sua utilização exigir um período maior de assimilação, em comparação com o dos fertilizantes químicos, eles contam com a vantagem de promoverem o desenvolvimento da flora microbiana do solo, contribuindo, também, para a reabilitação das condições físicas da terra.

Podem ser subdivididos sob a nomenclatura de fertilizantes orgânicos:

  • simples — são produzidos tendo como base apenas elementos de origem vegetal ou animal;
  • mistos — produzidos a partir da fusão ou mescla de dois ou mais fertilizantes orgânicos simples;
  • compostos — os fertilizantes desse tipo são preparados tendo como base elementos orgânicos resultantes de processos químicos, físicos ou bioquímicos.

Fertilizantes organominerais

Os fertilizantes organominerais são obtidos por meio da mistura de elementos oriundos de fontes orgânicas, como o esterco de aves e suínos e os fertilizantes de origem mineral, como nitrogênio, fósforo ou potássio.

Comparado com o fertilizante oriundo apenas do esterco animal, o organomineral tem maior concentração de nutrientes. Além disso, a sua solubilização gradativa garante que o cultivo o absorva durante todo o seu desenvolvimento.

Como funciona a produção de fertilizantes?

Os fertilizantes são utilizados para melhorar o desenvolvimento do plantio desde tempos remotos. A princípio, os agricultores utilizavam apenas excrementos animais, cinza vegetal ou lodo de lagoas ou cursos de rio.

Foi apenas no século XIX que o cientista alemão Justus von Liebig (1803-1873) desenvolveu a teoria de que o crescimento das plantas é determinado pelos elementos presentes no solo em quantidades adequadas. Esse foi o ponto de partida da famosa fórmula NPK e da era do uso de fertilizantes químicos.

Com a nova era, surgiu uma cadeia de desenvolvimento de fertilizantes químicos, que vai desde a extração da matéria-prima até o agricultor, podendo ser dividida em cinco etapas.

Primeira etapa

A cadeia da produção de fertilizantes tem início na indústria extrativa mineral. É ela que fornece as matérias-primas básicas (rocha fosfática, rocha potássica, enxofre e gás natural ou nafta) para a fabricação de fertilizantes.

Segunda etapa

A partir daí, é a vez da indústria de produção dos compostos químicos inorgânicos. É a partir deles que são produzidas as matérias-primas básicas e intermediárias, como ácido sulfúrico, ácido fosfórico e amônia anidra.

Terceira etapa

A indústria de fabricação de fertilizantes simples e intermediários é responsável pela terceira etapa da produção de fertilizantes. Nessa fase, são obtidos: superfosfato simples (SSP), superfosfato triplo (TSP), fosfato de amônio (MAP e DAP), nitrato de amônio, sulfato de amônio, ureia, cloreto de potássio, termofosfatos e rocha fosfática parcialmente articulada.

Quarta etapa

Esse é o momento da produção propriamente dita. É quando acontece o processo de granulação e mistura dos elementos, que resultam no produto final, o fertilizante, mais conhecido como NPK. Atualmente, os maiores complexos industriais brasileiros estão focados na produção de fosfatados, nitrogenados e potássicos.

Fosfatados

Contam, majoritariamente, com o enxofre e a rocha asfáltica como matérias-primas. Os materiais são extraídos pela mineração e tratados com ácido sulfúrico, de modo a formar o fertilizante desejado.

Nitrogenados

Os fertilizantes desse grupo têm como composto principal o nitrogênio, obtido no processo de fabricação da amônia anidra, que, por sua vez, é fabricada por meio da transformação química do gás natural.

Potássicos

Para a produção de fertilizantes potássicos, extrai-se o referido elemento de minerais associados (como silvita, silvinita e carnalita) com alto teor de concentração. Os minerais são tratados até ser obtido um produto de alta solubilidade em água. Ao contrário dos elementos extraídos das rochas fosfáticas, os minérios de potássio não requerem tratamento químico, seja com cloreto, seja com sulfato de potássio, podendo ser usados diretamente.

Quinta etapa

Como última etapa da cadeia produtiva dos fertilizantes, temos a distribuição e a comercialização dos produtos. Vale lembrar que tanto a fabricação como a venda dessas substâncias são regulamentadas pelo Decreto 50146/61. A norma regulamenta a fiscalização do comércio de fertilizantes e produtos correlatos destinados à agricultura.

Por que utilizar fertilizantes?

O objetivo da utilização dessas substâncias é fornecer nutrientes em quantidade e qualidade adequadas para o desenvolvimento de determinada cultura. Afinal, essa é uma condição essencial para otimizar o solo e o desempenho da safra. O fornecimento insuficiente de qualquer nutriente acarreta não só a redução qualitativa e quantitativa da colheita, mas também a degradação do solo.

Vale ressaltar que a quantidade de nutrientes a serem transferidos do solo à plantação aumenta proporcionalmente conforme a produtividade do solo. Ou seja, quanto maior o aproveitamento da terra, maior o risco de ela se tornar deficiente caso não receba suplementação por meio da aplicação de fertilizantes.

Assim, para manter a qualidade do solo, o ideal é que os fertilizantes sejam aplicados nos mais diversos tipos de cultura, garantindo a obtenção de níveis apropriados de eficiência que possibilitem o retorno econômico adequado para os agricultores.

Como potencializar a eficiência dos fertilizantes?

É possível tornar a ação dos produtos fertilizantes mais eficazes de acordo com o seu manejo. Isso pode ser feito por meio da diminuição da liberação dos nutrientes, por exemplo, reduzindo a transformação do produto em um composto menos estável no solo, ou ampliando a oferta de suplementos para as plantas.

É claro que é preciso analisar uma série de fatores antes de optar por essas alterações. Entre eles, os benefícios agronômicos e econômicos, os impactos nutricionais, a segurança sanitária e, por fim, as questões ambientais.

Assim, ainda que nos últimos anos o interesse pelo desenvolvimento e o uso de aditivos que promovam a elevação do grau de eficiência do fertilizante aplicado tenha crescido consideravelmente, é necessário analisar criteriosamente os inúmeros processos e produtos que estão disponíveis para esse fim.

Uma das estratégias mais eficientes é aplicar compostos químicos que elevam a absorção do nutriente. No mercado, é farta a oferta de produtos que alteram os processos biológicos dos nutrientes no solo. Entre eles, podemos citar inibidores da nitrificação, inibidores da urease e outros produtos químicos. A utilização deles objetiva interromper ou reduzir as rotas reguladas por bactérias do solo.

O desgaste das máquinas

Entretanto, apesar de todos os benefícios que os fertilizantes podem trazer para o cultivo, é preciso estar atento a alguns pontos. Entre eles, o desgaste ocasionado pelos produtos químicos aos equipamentos, como pás carregadeiras e minicarregadeiras, comumente utilizadas para realizar a mistura de fertilizantes.

Na verdade, cabe ressaltar que o uso desses equipamentos pode ser bastante conveniente na movimentação de fertilizantes. Isto porque, as pás carregadeiras possibilitam uma melhor produtividade/h na movimentação, organização e limpeza de pátios ou galpões de fertilizantes. Além disso, as cabines fechadas das pás carregadeiras constituem maior segurança ao operador.

Porém, para evitar danos tanto ao produto como ao maquinário, especialmente em função do fator abrasivo ou corrosivo de alguns fertilizantes organominerais, é preciso tomar alguns cuidados, como:

  • mantenha o ângulo correto entre a pá e o chão;
  • nunca a deixe plana, esmagando os fertilizantes;
  • contenha qualquer derramamento no chão;
  • jamais dirija as rodas dianteiras sobre o monte de fertilizante;
  • evite o derramamento do monte ao reconstruí-lo com a carregadeira.

Qual é a relação entre fertilizantes e o contexto brasileiro atual?

De acordo com dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), a agricultura é responsável pela geração de emprego e renda para 22% da população ativa e mais 28% das exportações do país. Como resultado, 18% do PIB (Produto Interno Brasileiro) é representado pela agricultura.

Apesar de o Brasil contar com ótimas condições, desde o clima até o solo, o desempenho do setor não pode ser creditado apenas aos privilégios naturais. Afinal, o processo de globalização da economia tem impacto direto no desenvolvimento do setor primário e vem transformando o segmento com soluções de ponta, visando garantir não só maior competitividade, mas também a sustentabilidade ambiental.

É nesse sentido que o investimento em desenvolvimento e utilização de equipamentos e máquinas modernos tem se tornado uma preocupação cada vez mais significativa para os agricultores. Isso acontece porque o bom resultado na pulverização de qualquer cultivo depende do uso adequado dos equipamentos corretos.

Este último fator tem, inclusive, colaborado para a consolidação de uma tendência cada vez mais forte no Brasil: a locação de máquinas e equipamentos agrícolas. Afinal, o alto custo deles, associado ao esforço de conservação e manutenção, torna a locação uma alternativa viável e bastante interessante para renovar a frota.

Se, por um lado, o custo — não apenas de aquisição, mas, sobretudo de preservação — de um equipamento desse porte é elevado, exigindo a construção ou a locação de abrigos, a contratação de seguros e manutenções constantes, por outro lado, ao optar pela locação de equipamentos, o produtor rural garante:

  • flexibilidade no aumento da quantidade de máquinas agrícolas;
  • manutenção acompanhada pelo locatário;
  • disponibilidade imediata de maquinário;
  • conservação de reserva financeira que pode ser destinada a outros fins.

Uma coisa é certa: o uso de máquinas agrícolas consegue otimizar o processo de produção nas propriedades rurais, inclusive aplicando fertilizantes.

Quais são os desafios e aspectos ambientais da utilização de fertilizantes?

Assim como qualquer atividade de grande impacto, a produção de fertilizantes gera danos ao meio ambiente e eles precisam ser monitorados e controlados. Alguns exemplos são:

  • desmatamento, em função da necessária extração mineral, gerando riscos à biodiversidade local;
  • alta produção de resíduos sólidos e efluentes líquidos e gasosos, como flúor, óxidos de enxofre e nitrogênio, entre outros;
  • eventual contaminação do solo, do ar e dos lençóis freáticos, especialmente por nitrogênio, fósforo e potássio.

Vale lembrar que a maior parte das consequências ambientais dos fertilizantes advém da utilização inadequada e em excesso desses produtos. Ou seja, a solução não é apenas reduzir o uso e a produção de fertilizantes, mas, sim, elaborar um bom plano de análise de solos, capaz de subsidiar um programa adequado de suplementação nutricional. O plano de fertilização deve garantir, portanto, a otimização da produtividade, além de ser econômico e ambientalmente sustentável.

Como você pode ver, o uso e a produção de fertilizantes mais modernos e eficientes é essencial para a melhoria do plantio e para a sobrevivência humana. Então, quanto mais você estiver por dentro do assunto, mais fácil será produzir mais e melhor.

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